Por Thays Ruas Prado e Maria Eduarda Grazioli Maidana, do núcleo educativo do Musecom
O dia 26 de janeiro de 2026 marca um centenário decisivo para a comunicação do século XX. Trata-se do aniversário da primeira transmissão televisiva do mundo.
Talvez você já saiba que os primeiros aparelhos de televisão foram fabricados na Europa na década de 1930, e que a primeira emissora de TV do Brasil só foi inaugurada na década de 1950, e isso tudo é verdade.
Mas o experimento do dia 26 de janeiro de 1926 começou a mudar tudo.
Nesse dia, o inventor escocês John Logie Baird, que nos anos anteriores vinha experimentando com a transmissão de silhuetas em movimento, finalmente conseguiu transmitir imagens de rostos humanos em movimento. Até então, a tecnologia disponível só permitia transmitir imagens em movimento com muito alto contraste (no caso das silhuetas, o contraste entre figura e fundo). Antes de conseguir transmitir rostos humanos, o inventor chegou a usar um boneco de ventríloquo, que tinha traços um pouco mais marcados do que um rosto, e não sofria com as longas horas de exposição à luz intensa, necessárias naquela época para a captação das imagens.

As primeiras transmissões práticas de imagens em movimento por um sistema de rádio usavam discos perfurados de rotação mecânica para “ler” uma cena em um sinal variável no tempo, que podia ser reconstruído em uma aproximação da imagem original no receptor.
A invenção de Baird usava os chamados discos de Nipkow tanto para ler a imagem quanto para exibi-la (até então esse tipo de disco era apenas de leitura). Um sujeito bem iluminado era posicionado em frente a esse disco com lentes que captavam a imagem através de uma fotocélula estática. Acredita-se que fosse uma célula de sulfeto de tálio, desenvolvida por Theodore Case nos EUA, que detectava a luz refletida no sujeito. Isso era transmitido por rádio para uma unidade receptora, na qual o sinal de vídeo era aplicado a um bulbo de neon similar ao disco de Nipkow, sincronizado com o primeiro. O brilho da lâmpada de neon variava em proporção ao brilho de cada ponto da imagem. À medida que cada lente do disco passava, uma linha de leitura da imagem era reproduzida. Nesse aparato primitivo, os discos usados por Baird tinham 16 lentes, mas em conjunto com os outros discos usados, produziam imagens em movimento com 32 linhas de leitura, o suficiente para reconhecer um rosto humano.
A partir daquela transmissão de 100 anos atrás, em 26 de janeiro de 1926, as lentes e os discos de leitura se desenvolveram até chegar nas câmeras de vídeo e aparelhos de televisão eletrônicos e digitais que se popularizaram comercialmente ao longo do século XX.
No Brasil, a televisão chegou em 1950 e teve sua estreia realizada pela emissora pioneira TV Tupi, de São Paulo, no dia 18 de setembro. O aparelho era considerado um artigo de luxo, custava o equivalente a um apartamento ou carro popular da época. Por conta disso, o dono da TV Tupi, Assis Chateaubriand (1892-1968), comprou às pressas 200 receptores dos EUA que foram espalhados pela capital paulista para que a transmissão ao vivo fosse assistida. O primeiro programa a ser exibido foi o TV na Taba, apresentado por Homero Silva e teve participação de diversos artistas, como o ator Lima Duarte e a então cantora Hebe Camargo.
Em 1959, o Brasil adotou o uso do videotape (VT), criação estadunidense que mudou a grade brasileira. Inicialmente os programas eram apresentados necessariamente ao vivo, porém, com o surgimento da possibilidade de se gravar conteúdos fora dos estúdios, editá-los, e distribuí-los para outras emissoras, as narrativas da televisão brasileira se expandiram. A telenovela que marcou o início do uso do VT como recurso de reprodução foi Alma Cigana, dirigida por Geraldo Vietri e transmitida também pela TV Tupi em 1964. A telenovela se consolidou como uma ferramenta multifacetada no Brasil a partir de temas, muitas vezes, polêmicos, que geravam debates influentes nas transformações comportamentais na vida social dos espectadores.
As cores chegaram em 19 de fevereiro de 1972 no país em um evento tradicional do estado do Rio Grande do Sul, a 12ª Festa da Uva de Caxias do Sul, transmitida pela Rede Globo e com narração de Cid Moreira. Em seguida, a Rede Globo, em 1973, exibiu sua primeira novela em cores, O Bem Amado, de Dias Gomes. A partir daí, a transição técnica para reprodução de cores foi gradual, através de um sistema compatível entre os televisores antigos (P&B) e novos, permitindo que os aparelhos P&B recebessem o novo sinal colorido e exibissem em tons de cinza, não perdendo sua funcionalidade.

Inauguração da 12ª Festa da Uva em Caxias do Sul – RS, em 1972. Brasil Hoje nº 13. Arquivo Nacional. Fundo Agência Nacional.
Progressivamente, as TVs passaram de peças excepcionais a itens extremamente populares. Segundo dados do IBGE (2024), 93,9% dos domicílios brasileiros possuíam uma televisão, número este que decresceu, quando comparado aos números de 2017, 97,2%. Mesmo com tal diminuição, que tem como vetor a ascensão dos streamings como veículos de entretenimento na última década, a televisão segue sendo um dos principais meios de comunicação em massa, ferramenta informativa, essencial e de formação pública. O sinal da transmissão, que era originalmente via ondas de rádio a partir de estações terrestres, passou a utilizar microondas via satélite, e ainda transmissão a cabo por assinatura. Hoje em dia, a programação da televisão pode ser vista inclusive via internet.
No MuseCom temos aparelhos de televisão e equipamentos de diversas décadas ligados à história da comunicação no Rio Grande do Sul. Venha conhecer!