Por Maria Eduarda Grazioli Maidana e Rodrigo Enrich de Castro, do núcleo Educativo & Pesquisa do MuseCom
Em 17 de dezembro de 1905, na cidade de Cruz Alta (RS), nascia Erico Lopes Verissimo, um dos maiores nomes da literatura brasileira do século XX e considerado o maior escritor gaúcho de todos os tempos. Editor, jornalista, professor, poeta e autor de contos, novelas, romances históricos e literatura infantil, Erico cresceu cercado pelos clássicos, entre eles Zola e Dostoiévski.
Seu pai, Sebastião Verissimo, trabalhava na farmácia da família, que também funcionava como uma espécie de hospital. A mãe, Abegahy Lopes (conhecida como Bega) era modista e, em muitos momentos, sustentou a família durante momentos financeiros difíceis. Após a separação dos pais, em 1922, o jovem Erico passou a trabalhar no armazém dos tios, até conseguir um emprego no Banco Nacional do Comércio. Em 1925, tornou-se sócio de uma farmácia, além de oferecer aulas particulares de inglês e literatura.
Em 1930, Erico mudou-se para Porto Alegre. No ano seguinte, começou a trabalhar na Revista do Globo, da qual se tornaria diretor em 1932, enquanto também colaborava com os jornais Correio do Povo e Diário de Notícias. Em 1931, casou-se com Mafalda Volpe, sua namorada dos tempos de Cruz Alta, com quem compartilhou uma vida inteira de parceria e teve dois filhos, um deles o também escritor Luis Fernando Verissimo. A partir de 1933, Erico passou a traduzir clássicos da literatura e publicou seu primeiro romance.
Em 1941, morou nos Estados Unidos por três meses a convite do Departamento de Estado; retornou ao país no ano de 1943 para lecionar literatura brasileira na Califórnia, onde permaneceu por dois anos. Entre 1953 e 1956, voltou novamente aos Estados Unidos, agora como diretor do Departamento de Assuntos Culturais da Organização dos Estados Americanos (OEA).
Entre 1935 e 1937, foi o primeiro presidente da Associação Rio-Grandense de Imprensa. Seu primeiro grande sucesso literário veio em 1938, com Olhai os Lírios do Campo, mas sua obra-prima indiscutível é a trilogia O Tempo e o Vento, publicada entre 1949 e 1962, onde conta a história do Rio Grande do Sul a partir do final do período colonial até o final do Estado Novo.
Após 1960 os problemas cardíacos de Erico se agravam, mas sua produção literária segue em alta, com a publicação da última parte de O Tempo e o Vento, em 1962, Incidente em Antares em 1971, e sua autobiografia Solo de Clarineta em 1973. Na noite do dia 28 de novembro de 1975, enquanto descansava em sua casa, Erico teve um infarto e faleceu. Seu corpo foi velado na Assembleia Legislativa e enterrado no Cemitério São Miguel e Almas.

Erico Verissimo nos deixou uma obra literária extensa, rica e inigualável, na qual abordou diversos temas, mas que, fundamentalmente, tratava das relações sociais e da condição humana. Seu trabalho continua vivo e relevante, tendo sido traduzido para mais de quinze idiomas, em diversas edições, além de servir de inspiração para séries, filmes e peças teatrais até hoje em dia.
Aqui no MuseCom você pode consultar os artigos e textos de Erico Verissimo nos jornais Correio do Povo e Diário de Notícias, além de exemplares da Revista do Globo. Basta mandar um email para musecom@sedac.rs.gov.br e agendar a sua pesquisa!
As pesquisas ocorrem nas segundas, quartas e sextas, das 10h às 12h e das 14h às 17h.